Cyro, o Engenheiro, num país com 515 anos de equívocos
É uma ousadia tentar resumir o perfil de Cyro Laurenza, o Engenheiro, em poucas e mal traçadas linhas. Profissional de muitas práticas e de muitos caminhos, um obstinado da reflexão sobre a engenharia e o País, tem uma trajetória de longo curso por onde quer que imaginemos as suas andanças, projetos e obras. A homenagem que lhe é prestada pela Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE Brasil), em congresso da categoria, este mês (setembro), pelo trabalho e dedicação em favor das causas, avanços e razão de ser das ferrovias, reforça o pretexto para lembrar o que ele já fez pela infraestrutura brasileira.
 

Cyro Laurenza: Falta um Projeto de País
 
É um paulistano do Brás, coincidentemente nascido ao lado da ferrovia. Embora haja se formado no Mackenzie em 1965, desde 1959 trabalhava como agrimensor. Em 1962 estagiava em engenharia civil, praticando estruturas metálicas. E, em 1964, já estava no escritório do Roberto Rossi Zuccolo onde, em 1965, então como recém-formado, começou a calcular pontes e viadutos. “Foi a realização de um sonho”, registraria ele.
 
À época, o concreto protendido ganhava corpo e difusão. Carlos Freire Machado, à frente da Sociedade Técnica para Utilização do Protendido (Stup), adotava o sistema Freyssinet de protensão, e o escritório do Zuccolo representava a empresa na praça de São Paulo. “Naquele tempo era para eu ir trabalhar na Stup de Paris. Mas, recém-casado, considerei o salário, na França, insatisfatório e decidi ir trabalhar na Stup de Roma”.
 
Voltou ao Brasil em 1967, na semana do falecimento do Roberto Zuccolo, fato que o abalou. A morte do grande engenheiro significou um abalo na engenharia em geral. Contudo, Cyro prosseguiu com suas ideias profissionais e montou a empresa Bupec, que inauguraria o primeiro Bureau de Serviços no Brasil voltado para a aplicação de linguagem científica em projetos e obras, em especial projetos de estruturas. Eram programas que ele desenvolvera aqui e também na Itália. A empresa, conquanto muito importante para a engenharia brasileira, foi fechada em 1992. O governo não cumpriu contratos e a Bupec não teria como ser mantida sem os recursos que lhe eram devidos. Mas tudo bem. Ele criaria a Cyro Laurenza Consultores. Mudanças de regras, impostas no segundo governo FHC, quebraram a empresa. Como empreendedores podem sobreviver em governo de ilusionistas e factoides?
 
Nessa trajetória, nunca deixou de acreditar na Engenharia como uma força que transforma, construindo e estabelecendo um nexo prático entre passado e futuro. Haja vista o período em que presidiu o Sindicato Nacional de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco), depois das gestões de Cristiano Kok e Roberto Araújo Pereira. E, tanto no Sinaenco quanto depois, na União Pan-Americana de Engenheiros, onde atuou convocado por Cláudio Dall’Acqua, presidente da Upadi, o seu objetivo maior continuou a ser a prática aperfeiçoada dos instrumentos da engenharia em toda sua plenitude. Essa atenção e trabalho em favor da engenharia acompanharam-no durante o período em que presidiu a Ferrovia Paulista S. A. (Fepasa), representando um novo ciclo de sua dedicação a projetos e obras como engenheiro de ferrovias. Exemplo disso foi o programa de recuperação e modernização da Fepasa, que ele desenvolveu naquela época.
 
Criativo, em 1990 elaborou o primeiro projeto de trem de alta velocidade entre as cidades de Campinas-Viracopos-São Paulo-São José dos Campos-Taubaté. No ano 2000 fez estudos para implantar o trem expresso ligando a capital ao Aeroporto de Guarulhos para a CPTM. Dentre outras atividades, ele vem, nos últimos cinco anos, liderando pesquisa nacional e internacional, sem contratos com órgão de governo, para modernizar o sistema ferroviário de cargas e de passageiros entre os portos, superando as dificuldades da travessia pelos contrafortes continentais. Estudou, para o governo colombiano, solução destinada a vencer a Cordilheira dos Andes de modo a abrir acesso para a área portuária do Pacífico. As soluções encontradas permitem a construção de sistemas ferroviários que vencem cordilheiras com rampas de 6% a 10% de aclives.
 
Cyro, que colabora com a revista O Empreiteiro desde os seus primórdios, tem projetos aqui, na África e na Itália. É o engenheiro que não para de pensar e agir. Em 2012 fundou o Instituto para o Desenvolvimento dos Sistemas de Transportes (Idestra), do qual preside o conselho diretor. O obstáculo que vem enfrentando para melhorar a infraestrutura brasileira é o mesmo que a sociedade tem enfrentado desde sempre: “O caos que advém de 515 anos de equívocos e erros provocados pela incapacidade dos governos, nas administrações que se sucedem, de estruturar um Projeto de País”.
 

Ponte do Morumbi (estrutura de cima), projeto de Cyro Laurenza, construída em balanços sucessivos sobre o canal do rio Pinheiros, com 106 m de vão


terça-feira, 6 de outubro de 2015
Fonte: Revista O Empreiteiro
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